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Mario Lima - Eterna Saudade
19/2/2014

Mario Lima - Eterna Saudade
“MÁRIO SOARES LIMA” (19/02/1935 à 10/07/2009) - ETERNA SAUDADE
(Texto extraído e adaptado da coluna de Sebastião Nery, do Jornal Tribuna da Imprensa de 04/10/02, em homenagem ao saudoso MÁRIO LIMA, que se estivesse vivo, completaria 79 anos)

O dia 16 de abril de 1982 (ainda na ditadura militar, mas já na anistia), uma tarde de sexta-feira, em Brasília, o Tribunal Federal de Recursos (hoje STJ, Superior Tribunal de Justiça) mandou que fosse readmitido, reintegrado e indenizado pela Petrobras o fundador e três vezes presidente do primeiro Sindicato de Trabalhadores do Petróleo do Pais, o Sindipetro da Bahia, Mário Lima.
A geração Glauber, nascida no grêmio estudantil do centenário Colégio Central da Bahia. Um grupo de inquietos e talentosos jovens, Glauber Rocha, Paulo Gil Soares, Calazans Neto, João Ubaldo Ribeiro, Joca Teixeira Gomes e José Carlos Capinã. O líder escolar deles todos, o presidente do grêmio estudantil, era um jovem saído do mais profundo e pobre sertão da Bahia, da cidade de Glória, e que logo revelou uma surpreendente capacidade de liderança, Mário Lima.
Em 1958 fez concurso para operador da Refinaria de Mataripe, tirou o primeiro lugar. Em 1960, fundou com outros, o Sindicato. Em 1962, aos 27 anos, elegeu-se deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro.
Em 1964, logo nos primeiros dias do golpe militar, nos encontramos cassados (Sebastião Nery e Mario Lima), apanhados, jogados nus no chão molhado, sem luz e sem sol, ele numa solitária eu em outra, aguentando, resistindo, nos porões do soturno Forte do Barbalho, das coloniais guerras holandesas na Bahia, o forte que nos coube.
Na hora da prisão, no 1º de abril, dentro do palácio do governo baiano, embora deputado federal, mas por ser líder sindical e haver falado no comício da Central do Brasil de 13 de março no Rio, foi agredido, maltratado, ferido, mas não fraquejou, não denunciou, não se desesperou, não fez concessão.
( A tese do ex-ministro Jarbas Passarinho, de que a violência da ditadura só começou depois de as esquerdas fazerem a luta armada, é uma afrontosa fraude histórica . A violência começou no dia 31 de março)
Um dia, Mário desapareceu do forte. Tinha sido desterrado para Fernando de Noronha, com Miguel Arraes, Seixas Dória, Djalma Maranhão, tantos outros.
Voltou, clandestino em São Paulo, sobrevivendo em Londrina, no Rio e em São Bernardo do Campo, mais dois anos de cadeia em Salvador.
Em 1982 anistiado, retornou à Petrobras, foi reeleito presidente do seu sindicato e a Bahia lhe devolveu o mandato de deputado federal, pelo PMDB, renovado na Constituinte, onde foi o relator do capitulo social.
Mário Lima, uma vida-símbolo do País, uma bela prova de que a injustiça e a violência não derrotam a historia.






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